24 dezembro 2016

OBTUSO TEMPO NUNCA RELIGIOSO

Natal-Ano-Novo
Aporta,
Invade,
Inunda; não sabemos de que?

Tal, outro dia fosse,
A etiqueta comezinha
Dos sorrisos e da igualdade.
Não seria escárnio?

A evacuação cinematográfica recessiva,
Escatológica
Em todas acepções,
Era após Era

Crepita pelas avenidas e vielas.

A dejeção pútrida
Do homo desvelejante
Na nau obscena
Da desumanidade.

Importa
Pervade
Afoga
Quem é multidão.

Waldir Pedrosa Amorim

João Pessoa, 24 de dezembro de 2016

08 dezembro 2016

Amizade

AMIZADE

Ao amigo Derval Magalhães.

Amizade
É liga que não ata,
lenitivo
que não consome.

É resina.
Brota
do puro lenho
graça da convivência.

Ocorre sutil, livre,
ouvidos, acolhedores,
boca sincera,
olhos contemplativos,
sentidos inexpugnáveis.

Amizade,
não é contingência parental,
nem qualquer outra,
sob a qual,
classifiquem-se os porquês,
dos traços de união,
hifens e ligames.

O estado de amigo,
não é contratual,
prescinde de quase tudo:
tempo lógico,
dialético,
geográfico,
existencial...

Amizade é um amor distinto,
dos encontrados pela vida.
Não requer defini-lo, emoldura-lo.

Poucos os amigos?
−Acontece o que devia acontecer.

Perdi um amigo para a morte?
−Entristeço-me, choro, enluto-me.
Mas inda assim,
me permanece presente.

Nunca findarei de explorar
o que me significou.


Para inexistência física,
parece que perdemos,
o verdadeiro amigo,
que não perdemos.


Waldir Pedrosa Amorim, Em João Pessoa 08/12/16

15 março 2013

Beber Poesia


Fotografia:Waldir Pedrosa Dias de Amorim




É preciso
beber poesia
interditar o fácil
evasivo
grandiloquente.

A alma esguia

vértice acúleo
tange
indagações
nunca evocadas.

27 dezembro 2012

Por que é Natal?

 

 

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Para que é Natal?

 

 

Uma vez por ano

Embalam-te sinos, luzes e canções.

Esmolas e presenteias.

Abraças e comes e bebes, te sentes honrado.

Louvas o armistício, festejas o indulto e o perdão.

Desejas um mundo mais humano, mas,

nada a ser mudado desde que mundo é mundo.

Reflete, consente entender o outro como irmão.

Num mundo irmão qualquer paradigma é mutável.

 

 

Waldir Pedrosa Amorim

Natal de 2012

06 dezembro 2012

26 julho 2012

Poema em dois tempos

 
1
O permanente,
imorredouro,
não atina
tempo e deleite.
 
2
O tempo
gozoso, acme.
Deus misterioso
é o tempo.
 
Waldir














16 julho 2012

03 julho 2012

Amor Alado

Um beija-flor alado

 

Um beija-flor
visitando uma pequenina flor
se apossa do néctar
dos seus lábios devotados
e suga-lhe e esvazia-lhe
e num instante sem néctar
retorna a um outro beijo
coisa preciosa, diversa.

autor: Waldir Pedrosa Amorim

18 outubro 2011

VIVÊNCIAS DESPEDAÇADAS

 

Vivências

intensas

despedaçadas

excessivas em

cotidiano

evocam-me carência

de interioridade, retiro, reclusão.

Exaurido emudeço.

Reflexivo,

torno-me palavra

e o sonho que a antecede.

 

Waldir Pedrosa Amorim

16 outubro 2011

PERSIGNO

 
Não são teus olhos
mel, amêndoas sedutoras.
Teu corpo
que veste.
Teu sexo
que sotranca.
São as fímbrias
da convivência
atando esmeros.


Waldir Pedrosa Amorim