15 novembro 2005

Ronaldo Monte de Almeida, poeta, psicanalista, cronista e romancista, sobre Cantos da Vida de Amar

Não esperem de mim uma crítica literária aos poemas de Waldir. Todos sabem que não sou crítico literário. Sou poeta. E é apenas como poeta que venho saudar este livro feito de coragem e de beleza.
Longe dos temas pomposos, sua poesia, como toda boa poesia contemporânea, trata das pequenas coisas do dia-a-dia. Da canseira, da falta de tempo, da memória, dos lugares, do amor aos amigos, aos filhos, à mulher.
Aqui estão, como parte de uma paisagem cotidiana, a chuva e o sol, o mar e o vento, o vale e a montanha, coisas que o poeta sabe ver como se fossem vistas pela primeira vez. Como se fossem inventadas pelo olhar do poeta. Pelo olho clínico do poeta. Estão aqui também os nomes das pequenas coisas com que se constrói a vida de um poeta. Os seus brinquedos de infância, os lugares onde se viveu essa infância, as pessoas que povoaram os espaços dessa infância. E como não poderia ser diferente num poeta que se disfarça de médico, o medo e a morte aqui e ali dizem presente no seu texto. E como é de se esperar de um médico disfarçado de poeta, aqui e ali bebemos da sua solidariedade ao nosso medo da morte.
...esses poemas são tão bem feitos, tão bons fingidores (como já denunciava Fernando Pessoa), que temos a impressão de estar na presença verdadeira de sua alma. Estamos não. Sua alma é bem maior.
Ronaldo Monte de Almeida

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