15 novembro 2005

INDELÉVEIS (poema contido no último livro)

As tatuagens,
não eram cicatrizes.
Eram gravuras,
eram caleidoscópios.

As cicatrizes,
tatuagens não eram.
Eram marcas, ícones,
vestígios de dor

Waldir Pedrosa Amorim, in: O Avesso da Pele - Poemas - Ed. Manufatura 2005

O médico e escritor Heitor Rosa, autor do prefácio do livro Amor que Sai do Casulo:

"O Waldir é um poeta que se fez médico. Poucos de nós podem contribuir para a saúde do corpo e do espírito. O Waldir pode. Ele está um ponto acima do mortal comum, pois só alguns nascem poetas, e ele não precisou fazer da poesia uma profissão.
Condescendeu em misturá-la à medicina e por essa razão, nós, os médicos, temos o privilégio de conhecê-la antes de o grande público. Mas esta linda antologia poética não pertence só aos filhos de Hipócrates; ela deve ser levada a todos, como as vacinas, como novos tratamentos ou as recentes descobertas.
Não o chamem de médico poeta ou de poeta médico. Vejam-no como Poeta, lírico, apaixonado, racional, irônico, saudoso, triste, moleque, humilde – expressivos andamentos de seus cantos.
Seus versos, seus poemas mostram toda a natureza do homem, toda a forma de sentir e de se comportar. Ele verseja e modula, e cada canto é para ser sorvido sem pressa, gota a gota na veia, para misturar-se aos nossos humores. Não se agite antes de usá-los. Beba-os ad libitum.
O amor que Sai do Casulo irá direto para o seu coração."

Heitor Rosa

Ronaldo Monte de Almeida, poeta, psicanalista, cronista e romancista, sobre Cantos da Vida de Amar

Não esperem de mim uma crítica literária aos poemas de Waldir. Todos sabem que não sou crítico literário. Sou poeta. E é apenas como poeta que venho saudar este livro feito de coragem e de beleza.
Longe dos temas pomposos, sua poesia, como toda boa poesia contemporânea, trata das pequenas coisas do dia-a-dia. Da canseira, da falta de tempo, da memória, dos lugares, do amor aos amigos, aos filhos, à mulher.
Aqui estão, como parte de uma paisagem cotidiana, a chuva e o sol, o mar e o vento, o vale e a montanha, coisas que o poeta sabe ver como se fossem vistas pela primeira vez. Como se fossem inventadas pelo olhar do poeta. Pelo olho clínico do poeta. Estão aqui também os nomes das pequenas coisas com que se constrói a vida de um poeta. Os seus brinquedos de infância, os lugares onde se viveu essa infância, as pessoas que povoaram os espaços dessa infância. E como não poderia ser diferente num poeta que se disfarça de médico, o medo e a morte aqui e ali dizem presente no seu texto. E como é de se esperar de um médico disfarçado de poeta, aqui e ali bebemos da sua solidariedade ao nosso medo da morte.
...esses poemas são tão bem feitos, tão bons fingidores (como já denunciava Fernando Pessoa), que temos a impressão de estar na presença verdadeira de sua alma. Estamos não. Sua alma é bem maior.
Ronaldo Monte de Almeida

O Avesso da Pele é prefaciado pelo poeta, jornalista e escritor: Ricardo Anísio

"O Avesso da Pele é um livro tênue e denso ao mesmo tempo, tem sopros arejados de quase-prosa e profundidade de imagens poéticas capazes de bastar ao leitor mais arguto."

Ricardo Anísio.

SINAIS - poema do livro o avesso da pele.

SINAIS

Não eram manchas,
nem tatuagens eram.
Eram mapas de dor
gravados n’alma.

Waldir Pedrosa Amorim Posted by Picasa

Poema título do livro

O AVESSO DA PELE

Não são mistérios, senão intimidades,
são âmagos, são cernes, corações.
É gema, medula, fundamento,
é essência, é alma, é inspiração.

É o outro lado. São diálogos com o avesso,
são solilóquios internos desmesurados,
são sem face, sem mímica, sem arrepios.
É o avesso da pele: sentimento.

Waldir Pedrosa Amorim, in: O Avesso da Pele - Poemas Ed.Manufatura 2005