26 junho 2007

O Azul Casulo


Inteligência,
incomum percepção,
sensibilidade sutil.
Untada
com o exsudato da rocha e da madeira.
Resina
Estalactite
Cristal.
.
Eram cadinhos interiores.
Não era quisto, era pérola.
Não eram flores, eram pétalas.
Não eram lágrimas, era orvalho.
Não era frieza, era receio.
Não era indecisão, era ambivalência.
Não eram temores, era cuidado.
Não era insônia, era solidão.
Negação tampouco era.
Era anafilaxia por aluvião.
A menor distancia entre dois pontos?
Simples?
Comum?
A linha reta.
A física das retóricas.
A melhor distância entre dois seres humanos?
Não deslindamos.
Sofremos com a menor distância,
entre as paralelas.
É deserto o que não cruza,
não intercepta,
não é tangente.
Para as interseções fomos feitos.
Padecer nas encruzilhadas.
As paixões,
construções sozinhas.
As tristezas,
remissões aladas em vácuos de ternura.
Refletir sob um mundo especial,
mais que compreensão, é filosofia.
Versos, esculturas, música, pintura, canto, medicina.
Inscrições de um ser maior que o ser.
A poesia não cala.
Inutilmente figuramos a vida em molduras.
Longevidade em anos.
Hábito torto.
A resina vegetal que nos disfarça,
nem a água, nem os comuns solventes,
nem o sabão ou os detergentes,
nem a faca nem os bisturis
conseguem roçar
a alma.
Certamente o âmago do azul casulo
almejava engajamento singular
na palavra,
diante da falácia
do totalitário mundo.
Deixou poemas atemporais,
se decodificou em matizes pictóricos, música.
Não viveu os calendários convencionais,
nem os algarismos interessavam.
Inseminou tão competente o mundo
com seu legado,
que em trinta anos
viveu eternamente
a alegação do vivido.


Waldir Pedrosa Amorim