26 dezembro 2009

Espírito de Natal

Espírito
de natal e novo ano,
luzes, fogos
do Deus ateu,
do homem desumano,
cede lugar
ao constrangimento,
à indignação,
ao falto espanto
que assalta
a raça humana
em sua trajetória.

Waldir Pedrosa Amorim
Natal de 2009

06 novembro 2009

Resposta de aniversário

Bom acolher
palavras carinhosas
de amigos verdadeiros.
Que seria de nós
sem o tempo
dando o tom gris
da intimidade
às rotas do mapa
de vínculos
onde cada alfinete
colorido
sinaliza
alguém imprescindível.
Pequenos-grandes-amores,
a quem chamamos
meu amigo (a).

Waldir

30 maio 2009

Falível

Não sou perfeição,
e sim desejo de alegria,
exorcista da nódoa,
da mácula,
cicatriz,
tatuagem,
falha,
estigma.
O que se perdoa.

26 maio 2009

Ao amigo Barreto

É definitivo
por isso sofremos
imensamente.
Somos seres postergadores.
Com certeza,
guardamos na algibeira
muitos planos de eternidade;
repentinamente
fura a algibeira...
Mas, puxa!
Faltou retribuir
aquele jantar
ao meu amigo,
dizer-lhe mais algumas vezes:
o tenho como um dos prediletos escritores
da língua portuguesa.
Imergir
na sua escrita,
é poder apreciar o cimento
do vocábulo matemático,
adequado ao serviço
do catador de cotidianos:
Barreto ou Geraldo Maciel.



Waldir Pedrosa
terça-feira, 26 de maio de 2009

28 março 2009

Os ritos que passaram.

Nossa mãe

dá-me um Diamante Negro

eu perdi

o gosto dos chocolates

do chá preto com torradas

na Casa Matos

da Geléia de Mocotó Colombo

dos Tostines

dos biscoitos Du Chen

e do Cachorro Quente da Casa dos Frios.

Nosso pai

vamos tomar o Leite Maltado

na Galeria do Recife passado

ou o Caldo de Cana

na moenda, com gelo e

peneirado.

Roletes de cana, de cana caiana, rolete patrão, é três um tostão.

Quem sabe,

aquele prato de Chambaril

ou aquele outro de Mocotó,

melhor ainda, uma Rabada de Boi

e uma cerveja bem gelada.

Nossa mãe e nosso pai

vamos almoçar uma dobradinha com feijão branco

no domingo

cheia daqueles nomes tão bonitos,

dado ao miúdo dos ruminantes.

No outro domingo

uma galinha bem gorda, com cabidela,

meus serão

o fígado, o coração a moela e o sobrecu,

feijão, farinha, arroz, pimenta

e bastante osso,

eu gosto de roer, até a vida!

Quem dera

no outro final de semana,

cheguemos cedo

para espreitar

o vendedor de caranguejo

no Mercado da Encruzilhada.

Quem sabe em Olinda

ainda encontre agulhas fritas

e em Rio Doce

uma posta de Cavala.

Nossos pais,

sinto a falta

dos sabores amigos,

das ternuras com endereço,

dos laços sequer escolhidos.

Ficaram todo este tempo

escondidos

e em sabores

os tenho a debulhar.

Pouco me resta,

a casa da infância

está repartida, desfigurada

daqui a pouco

terá desaparecido

na tarde

como

calavam as cigarras

tão logo

a noite sorrateira

descia

lá no quintal.


Waldir Pedrosa Amorim


24 fevereiro 2009

Manhã de Carnaval

Amanhece

Um sussurro de vento

Um oceano diverso

Ninguém há

Um pescador longínquo

Vela o mar

Praia do Bessa

Manhã de Carnaval

Waldir Pedrosa Amorim