21 abril 2010

Roubando um cheiro


Parece que somente nós os nordestinos sabemos verbalizar a inclusão do cheiro como demonstração de afeto. O odor peculiar de cada um, é guardado como uma impressão em nossas memórias, sem que vislumbremos . Somos seres das lembranças - delas extraímos nosso agora, nossas quimeras e nossa esperança.


 


 

Sabemos dar ao cheiro

a condição do beijo.

As pessoas

emanam nuances

em fragrâncias

próprias;

assim, as decalcamos

nas memórias.

Seres das lembranças,

da habitualidade,

da correlação,

aludimos à ternura,

à atração,

roubando um cheiro.


 

Waldir-