15 junho 2010


 

Vou

pela estrada

conduzindo-me ao Recife

na intimidade de quem palmilha

devassados caminhos.

A topografia mudou;

nos últimos anos,

constroem uma estrada

e transferem as montanhas.

O pó do barro rodopia

atiçado pelo vento;

o barro em pó

preenche côncavos,

regatos, depressões,

desnivelamentos.

As barreiras

dia após dia,

sofrem a erosão das máquinas

sendo enviadas nas caçambas,

que as vertem em outro terreno

distante.

Quantos milhares de anos

as carrearia o vento

e a chuva

a destino semelhante. Talvez nunca.

Nunca de uma vez.

Derrubaram os maiores Ipês

que já vira. Agora troncos.

Anualmente despetalavam

lentamente

atapetando a terra de

amarelo ouro.

Eram altos, viçosos e se postavam

na beira da estrada.

Inexorável

é jamais retornarem,

nem mais ninguém vê-los.


 

Waldir 2010